Fomentando a criatividade e o engajamento estudantil na E. E. José Miguel no BH/Barreiro

Descubra como a integração de atividades artísticas e interativas na Escola Estadual José Miguel no Nascimento, em Belo Horizonte, enriquece o aprendizado e desenvolve habilidades sociais e culturais dos alunos.

Localizada na região do Barreiro, em Belo Horizonte, a Escola Estadual José Miguel no Nascimento tem se destacado pela implementação de métodos pedagógicos que integram as artes ao ensino regular. Em parceria com o Lab Conexão, professores das áreas de linguagens desenvolveram projetos que combinam ensino tradicional com atividades artísticas, visando enriquecer a experiência educativa e incentivar o desenvolvimento pessoal e cultural dos alunos.

Durante o laboratório criativo, professores, alunos, funcionários e comunidade escolar se uniram para criar produtos de diversas linguagens, que culminaram em saraus e exposições artísticas. Vamos conhecer estas iniciativas?

Integrando Poesia e Performance: A Experiência do “Clube do Protagonismo” 

Dentro das atividades inovadoras da Escola Estadual José Miguel no Nascimento, o “Clube do Protagonismo” se destaca como uma iniciativa significativa no ensino médio integral. Este clube oferece aos alunos a oportunidade de gerenciar seu próprio tempo escolar e escolher atividades coletivas, cultivando autonomia e liderança. Uma das oficinas mais impactantes oferecidas pelo Lab Conexão nesse contexto foi a de “Slam Interescolar”, facilitada por JP Escrevivente e Leandro Zere.

Nesta oficina, os alunos foram introduzidos à poesia marginal, também conhecida como slam das rimas, um movimento literário vibrante que combina escrita, performance e competição pública. Originado nos Estados Unidos na década de 1980, o slam de poesia é uma forma de arte que permite aos poetas recitar ou performar suas obras diante de uma audiência, com performances avaliadas por jurados escolhidos aleatoriamente. Esta forma de expressão é notável por abordar questões sociais, políticas e pessoais de maneira direta e intensa.

 

Sarau E.E.José Miguel | Foto: Pri Garcia

 

Por outro lado, a poesia marginal no Brasil, surgida nos anos 1970, é caracterizada pela sua produção e circulação fora dos canais editoriais tradicionais, frequentemente explorando temas das experiências e desafios das classes sociais menos favorecidas. Utilizando uma linguagem coloquial, essa literatura busca expressar resistência, crítica social e questões culturais.

Durante quatro sessões interativas, os estudantes mergulharam profundamente nesses estilos de poesia, desenvolvendo suas próprias criações poéticas que culminaram em um sarau dinâmico de poesia falada. Essas atividades não apenas enriqueceram a experiência educacional dos alunos com novas formas de literatura, mas também promovem uma interação direta e emocional com o público, destacando-se pela autenticidade e pela capacidade de dar voz a perspectivas frequentemente marginalizadas.

“A parceria com o Lab Conexão foi muito grandiosa na nossa escola em função de oficinas que os alunos não tinham tanto conhecimento. Como no caso do Slam, os MCs falando a linguagem dos alunos, o processo de criatividade que eles tiveram em relação à produção do slam de uma comunidade, das questões de vivência deles foi muito gratificante. Outra oficina que nós tivemos foi a oficina dos sentimentos, porque a gente estava com os alunos com um processo de internalização dos sentimentos muito grande, e precisando expor esses sentimentos, e com a oficina que foi feita, eles puderam expressar os seus sentimentos. Foi bem gratificante para a gente no sentido de valorizar o que estava sendo sentido, pensado. No caso, tanto do slam quanto da Oficina dos Sentimentos, foram atividades desenvolvidas com o ensino médio. E, através disso, foram criados textos de slam e também desenvolvido um painel de sentimento.” Relatou a professora de língua portuguesa, Cláudia Erlane

 

Sarau das Emoções | Foto: Pri Garcia

Engajamento Lúdico com o Inglês

No âmbito linguístico, a professora de Língua inglesa, Danielle Tregellas, utilizou uma técnica inovadora para ensinar falsos cognatos, também conhecidos como “falsos amigos”. Falsos cognatos são palavras em dois idiomas que, apesar de terem ortografia ou pronúncia similares, possuem significados distintos, o que pode facilmente causar confusões e mal-entendidos entre aprendizes de línguas. 

Para tornar o aprendizado dessas palavras mais envolvente e menos suscetível a erros, a professora empregou esquetes com a Macaca Lica, uma personagem criada pela multiartista Nana. Esta abordagem não apenas facilitou o entendimento dos alunos sobre o tema com diversão, mas também ressaltou a eficácia de métodos de ensino que integram educação e entretenimento, mostrando como eles podem melhorar significativamente a retenção de informações e o interesse dos estudantes.

 

“A professora de língua inglesa, ela desenvolveu o Lica with English com todas as duas, que foi trabalhado com a Nana e com a Lica em falsos cognatos. Isso foi um divisor de águas mesmo para os meninos para eles entenderem o que era certo, errado, diferente, igual. Então isso aí pra eles foi bem gratificante, porque eles não sabiam, não conheciam, não tinham essa valorização. E queremos parcerias de novo, queremos continuar com esse projeto.” (Cláudia Erlane, professora de Língua Portuguesa)

 

Nana e Lica | Foto: Raed Travizane

Projeto Mini Contos – Professor Valdinei Pedro Sales Vieira

Mini contos, também conhecidos como microcontos, são uma forma de narrativa breve que encapsula elementos tradicionais de um conto em um espaço textual extremamente limitado. Esta forma literária desafia o autor a desenvolver uma trama completa — com início, meio e fim — frequentemente em não mais que algumas centenas de palavras, e em casos mais extremos, em apenas uma ou duas frases. A habilidade de evocar emoções, surpresas ou reflexões profundas com economia de palavras e finais inesperados é fundamental nesse gênero, que exige que cada palavra seja empregada com precisão e que o texto sugira mais do que diz diretamente, deixando lacunas para que o leitor as preencha.

A popularidade dos minicontos cresceu com o advento das redes sociais e plataformas de publicação online, que valorizam a brevidade e se alinham bem com a preferência contemporânea por conteúdo rapidamente digerível. Essa forma de escrita não só captura eficazmente a atenção dos leitores modernos, mas também oferece uma experiência literária completa em um formato condensado. Dentro desse contexto, a oficina “Poemas Mínimos” conduzida por Valéria Moura na Escola Estadual José Miguel no Nascimento complementou perfeitamente o projeto de mini contos. A oficina incentivou os alunos a praticar a concisão e a expressividade na escrita criativa, reforçando as habilidades necessárias para dominar a arte dos microcontos e explorando ainda mais as possibilidades da narrativa curta e impactante.

“No ano passado, recebemos o Lab Conexão na nossa escola. Eu trabalhava com estudos orientados em Língua Portuguesa. Eles trouxeram uma proposta inovadora: trabalhar o livro literário na sala de aula. Inicialmente, a ideia era focar na biblioteca, mas acabamos estendendo para nossas aulas regulares. Com o 9º ano do ensino fundamental, desenvolvemos projetos de minicontos. Uma escritora veio até nós para dar uma oficina. Tivemos um momento de conversa com ela e uma parte prática, onde os alunos do 9º ano aprenderam a produzir minicontos, usando suas visões de mundo e experiências pessoais. A atividade consistiu em sintetizar uma ideia e transformá-la em um miniconto. Os alunos participaram da oficina e, em seguida, produziram seus próprios minicontos. Este projeto foi muito significativo para a escola e, quem sabe, em breve, poderemos transformar essas histórias em um livro.”, relatou o professor Valdinei Pedro Sales Vieira

 

Miniconto | Foto: Pri Garcia

 

Inovação Narrativa com o Projeto “Secret Box” | Professor Valdinei Pedro Sales Vieira

Na Escola Estadual José Miguel no Nascimento, o projeto “Secret Box” destacou-se por sua abordagem inovadora ao recontar o clássico “Jardim Secreto” através de cenas em miniatura criadas dentro de caixas. Inspirado nas técnicas de teatro lambe-lambe e teatro em miniatura, este projeto permitiu que os alunos explorassem a dramatização e visualização de narrativas de forma única e envolvente. Sob a orientação da experiente artista Nana, os estudantes foram ensinados a manipular elementos visuais e táteis, como luz, sombra e objetos simples, para simbolizar temas complexos da história, transformando as caixas em palcos minúsculos, feitas com materiais recicláveis, onde cada detalhe contribui para contar uma parte da narrativa.

O professor Valdinei Pedro nos contou sobre o projeto: “Um projeto de grande relevância foi realizado com as turmas do 6º, 7º e 8º anos, chamado ‘Secret Box’. Ele consistia em transformar um livro literário em uma história contada através de caixas. Os alunos leram ‘O Jardim Secreto’ e, após a leitura, releitura e reescrita, resumiram o livro e, no momento final, recriaram a história em caixas. Eles criaram espaços e montagens dentro das caixas para recriar os capítulos, utilizando materiais como papelão, copinhos, retalhos, papel e tinta. Foi interessante ver como avaliamos os alunos durante todo o processo. Não se tratava apenas de ler e interpretar o livro ou de aplicar uma prova escrita ou oral, mas sim de criar cenários e adaptar a narrativa.”

 

Secret Box | Foto: Pri Garcia

Ele também destacou a importância do projeto na interação e desenvolvimento dos alunos: “Os alunos ainda lembram daquele episódio de montagem, de reprodução artística e de recriação da história. Além disso, o projeto também proporcionou uma interação entre eles, desenvolvendo respeito e cooperação, especialmente importante nesse período pós-pandemia, onde ainda enfrentamos muitos conflitos. A escola recebeu muito bem o projeto e ele valorizou bastante o conhecimento dos nossos alunos. Foi uma oportunidade de percebermos os alunos de forma integral. Trabalhei com professores de artes, inglês e comunicação, demonstrando como o ensino pode ser interdisciplinar. Quem mais ganha com isso são os nossos alunos. Agradeço ao Lab Conexão e espero que possamos realizar mais projetos juntos nos próximos anos. Foi uma experiência maravilhosa!”

Essa metodologia não apenas enriqueceu a experiência educativa dos alunos, mas também desenvolveu habilidades de pensamento crítico e criatividade, fundamentais para a compreensão literária e artística. A experiência do “Secret Box” exemplifica como o teatro em miniatura pode ser uma ferramenta poderosa no ensino de literatura, permitindo aos alunos uma imersão profunda nos elementos da história de maneira interativa. Este projeto não só cultivou uma apreciação pela arte narrativa entre os jovens, mas também demonstrou o potencial do envolvimento artístico para melhorar o entendimento e a interpretação de textos literários, promovendo uma aprendizagem que transcende o tradicional e envolve ativamente os estudantes na construção do conhecimento.

Secret Box | Foto: Pri Garcia

Explorando Mundos: Espetáculos e Diálogos Culturais no Lab Conexão

No contexto artístico do ciclo criativo do Lab Conexão, a escola experimentou uma enriquecedora série de apresentações teatrais e encontros interativos com escritores, que transformaram o ambiente educacional em um vibrante espaço cultural. 

Os espetáculos apresentados, como “Retalhos” com Nana, mergulharam no universo de diversas histórias cantadas, enquanto “Pequeno Grande Encontro” com a Cia Lunática trouxe ao palco encantadoras narrativas sobre a jornada da Palhaça Jojoba e uma caixeira viajante ao mundo mágico da leitura. Além disso, “Viajando o Mundo com Histórias” de Renata Camargos proporcionou aos alunos uma jornada literária por diversas culturas. Essa atividade foi complementada por um bate-papo exclusivo com Renata, que discutiu seus livros “Valentim: O Leãozinho Forte e Valente” e “Escola Azul”, oferecendo aos alunos insights valiosos sobre o processo criativo e literário.

“Recebemos o Lab Conexão na escola com muita alegria, muita satisfação e um resultado muito positivo. Todas as ações realizadas, nós tivemos uma interação total dos alunos com os professores, integrando realmente várias disciplinas, com teatro, com música, com o slam. Desenvolvemos também oficinas, tivemos também várias exposições de texto, também com vários computadores, tivemos bastante. Socialização, trabalhou-se muito o sentimento, a afetividade, todas as interações vieram trazer essa leveza e a cultura para dentro da nossa escola. Então foi muito positivo todo o resultado, tudo que nós tivemos, todos os produtos, esperamos que tenhamos nos próximos anos mais trabalhos, mais produções, mais cultura, mais linguagem dentro da nossa escola, foi um prazer enorme ter como parceiros o Lab Conexão.” (Márcia Machado, diretora da E.E.José Miguel)

Encontro com biblioteca | Foto: Raed Travizane

A integração das artes na educação na Escola Estadual José Miguel no Nascimento demonstra um compromisso profundo com a formação holística dos alunos. Ao combinar métodos de ensino tradicionais com atividades artísticas inovadoras, a escola não só melhora o aprendizado acadêmico, mas também prepara os estudantes para serem cidadãos globais conscientes e criativos. Essas iniciativas destacam o poder transformador das artes na educação e no desenvolvimento comunitário e individual.

Espetáculo Pequeno Grande Encontro | Foto: Luciano Almeida

Para finalizar, perguntamos à professora, Cláudia Erlane, o que mudou na escola com a presença do Lab Conexão.

“A relação com os alunos e professores mudou bastante, pois tivemos que desenvolver uma educação interdisciplinar, formando parcerias. Sozinhos, não conseguimos construir muito, mas ao unir as aulas e ideias de diferentes profissionais, conseguimos um desenvolvimento mais rico para os alunos. Cada profissional trabalha sua disciplina de uma forma única, e quando trazemos essas abordagens para o aprendizado dos alunos, o resultado é um processo criativo diferenciado. A interdisciplinaridade tornou-se grande e produtiva. Foi gratificante construir essas oficinas, ver os resultados, a interação dos professores e o dinamismo. Os próprios alunos perceberam a amizade e interação entre os professores, o que fez diferença, especialmente em uma comunidade carente de afetividade. Essa união dos professores transmitiu uma maior confiança aos alunos. O projeto “Lab Conexão” mostrou ser muito interessante e produtivo. Aqui, produzimos muita coisa de qualidade, o que beneficia todos os envolvidos.”

 

Serviço

Lei Federal de Incentivo à Cultura
Patrocínio: Vallourec
Parceria: Instituto Território Criativo
Realização: Planeta Cultura e Sustentabilidade | Ministério da Cultura | Governo Federal União e Reconstrução

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